Crowdsourcing II: Cases e exemplos aplicados
Dando sequencia a mais esta série de artigos sobre Crowdsourcing, onde no artigo anterior “Crowdsourcing I: A nova era da terceirização” expliquei do que se trata essa estratégia de marketing que tem ganhado força nestes últimos anos, especialmente nos serviços de TI. Neste artigo quero mostrar casos de empresas que se utilizam desta estratégia para melhorar a qualidade dos seus serviços e se popularizar mais entre as comunidades de desenvolvedores. Então vamos as empresas.
Google: Chrome
Como não poderia faltar, o Google está entre os maiores utilizadores do crowdsourcing. Não há muito tempo atrás a empresa ofereceu de $500 a $1.337 (dólares americanos) para qualquer “hacker” que conseguisse descobrir uma falha de segurança no seu navegador de código aberto, Chrome.
E por que a empresa pagaria para invadirem seu navegador?
Simplesmente para torná-lo melhor e também chamar a atenção das pessoas para sua utilização e segurança. Imagem que uma empresa que possua um navegador de código fechado, vamos citar a Microsoft com o seu navegador Internet Explorer (aqui você vai entender porque não deve usar o IE, rs).
No caso do IE a Microsoft possue um certo número de funcionários que trabalham no seu desenvolvimento, o que leva a um custo pra empresa dependendo do número de funcionários que ela disponha pra cada seviço que ela desenvolve, então vamos imaginar que só na criação do IE sejam cerca de 100 programadores e analistas de segurança 100% dedicados a ele. Agora vamos ao caso do Chrome da Google. A empresa possui cerca de 50 programadores e analistas de segurança dedicados para criar o sistema, mas diferente da sua concorrente Microsoft ele deixa o código fonte do projeto aberto para que qualquer usuário possa melhorá-lo e implementá-lo, só por este fato a empresa já ganharia, digamos um chute baixo 10 mil programadores “não remunerados” pela empresa trabalhando para melhorar seu sistema.
Só ai já vemos a diferença de qualidade dos softwares de código aberto perto dos sistemas fechados, e uma clara vantagem competitiva das empresas que optam por esta estratégia, já que na maioria dos casos (diria até 99,9%) os usuários tenham um interesse maior pelo gratuito. Mas e agora, onde o crowdsourcing entra nessa história? Já entrou, só o fato de ser código aberto já envolve uma comunidade de desenvolvedores, que é a característica base do crowdsourcing. Então por que pagar um prêmio se a comunidade já está fazendo isso sem qualquer relação monetária? Mais uma resposta fácil e óbvia, para tomar ainda mais a atenção dos desenvolvedores ao seu navegador.
Pense que oferecendo uma recompensa de até $1.337 POR FALHA ENCONTRADA, vários “hackers” vão tentar invadir o Chrome para descobrir erros de segurança, estes irão reportar ao Google, ganhar seu dinheiro e buscar por mais falhas para mais dinheiro. É simples imaginar que hackers já caçam vulnerabilidades nos sistemas por aprendizado, prazer, imaginem se oferecer dinheiro a eles e liberdade para fazer isso? Assim fica fácil entender porque usar crowdsourcing na sua estratégia.
Mozilla: Firefox
Da mesma forma que a Google, a empresa Mozilla, desenvolvedora do navegador Firefox, oferecia $500 para quem descobrisse uma falha de segurança no seu navegador, desde que fosse uma falha ainda não encontrada e não fosse gerada por softwares externos.
Google: Image Labeler
Este é um exemplo clássico de que não é necessário pagar para fazer com que “as multidões” trabalhem em prol do seu projeto. Recentemente a Google lançou um jogo online chamado Image Labeler, onde você acessa e aguarda um parceiro entrar no jogo, assim que os dois estão prontos, algumas imagens vão passando e você e seu parceiro tem de identificar ou melhor rotular elas, se o rótulo que você e seu parceiro colocaram coincidirem, você ganha pontos e vai para um ranking público dos melhores.
E o que o Google ganha com isso?
Nessa corrida dos mecânismos de “Busca Semântica” temos como claro que uma das maiores dificuldades do Google e de qualquer outro buscador é contextualizar as milhões de imagens que os buscadores tem armazenado em seus bancos de dados, a Google só deu um jeitinho de colocar as pessoas para fazerem isso pra ele, tem-se que se duas pessoas rotularam com o mesmo nome a mesma imagem em um tempo curto, é muito provavel que seja este nome o mais indicado para que as outras pessoas busquem. Em resumo eles conseguiram utilizar online uma técnica muito conhecida por profissionais de Pesquisa de Marketing, utilizando imagens e perguntando ao entrevistado qual a primeira palavra ou sensação que vem a sua mente com aquela imagem ou produto, e tudo isso sem gastar um centavo pagando prêmios, apenas pelo prazer dos milhões de usuários no mundo que adoram um joguinho por mais bobo e simples que seja, e claro para aparecer no ranking dos melhores. Parece bobo, tem suas falhas mas foi uma idéia Genial.
Agora que tal um exemplo mais brasileiro.
Camiseteria.com
A Camiseteria já começou com essa estratégia e a mantém até hoje. Oferecendo prêmios de R$800 em dinheiro e mais R$500,00 para gastar em produtos da loja por cada estampa sua que for aprovada. Como é isso? Bom, você se cadastra no site, envia seus desenhos e as pessoas votam neles, se o seu desenho for aprovado eles te mandam um contrato de concessão de direitos de uso da imagem e R$800 + bônus de R$500 para comprar no site. É uma idéia genial e mostra que não é só com softwares e tecnologias que podemos utilizar o crowdsourcing a favor dos negócios.
Como este artigo ficou grande resolvi dividi-lo em dois, onde na segunda parte irei demonstrar exemplos de Crowdsourcing não tão focados em TI. Vocês poderão acessá-lo em: Exemplos de Crowdsourcing – Parte 2
Bom, é isso pessoal. Aqui quis apenas mostrar alguns exemplos de empresas que utilizam desta estratégia, com certeza os cases são inúmeros, e tende a se tornar muito popular em pouquissimo tempo. Logo teremos centenas e mais centenas de cases de empresas brasileiras fazendo crowdsourcing. O importante é saber que existem cuidados a se tomar ao realizar esta estratégia, mas isto irei abordar melhor no próximo artigo desta série.
Espero que tenham gostado e se souberem de algum outro caso interessante a compartilhar com todos, seja brasileiro ou estrangeiro, é só postar!
por Alexandre Poseddon
Consultor de E-business e Planejamento Estratégico
http://www.poseddon.com
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